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terça-feira, 21 de setembro de 2010

LIÇÃO 13 - A MISSÃO PROFÉTICA DA IGREJA




Lições Bíblicas Aluno - Jovens e Adultos - 3º Trimestre de 2010
O Ministério Profético na Bíblia, a voz de DEUS na TerraComentários da revista da CPAD: Pr. Ezequias Soares
Consultor Doutrinário e Teológico da CPAD: Pr. Antonio Gilberto
Complementos, ilustrações, questionários e vídeos: Ev. Luiz Henrique de Almeida Silva
QUESTIONÁRIO

 
 
TEXTO ÁUREO
"Mas, se tardar, para que saibas como convém andar na casa de DEUS, que é a igreja do DEUS vivo, a coluna e firmeza da verdade" (1 Tm 3.15).
 
 
 
VERDADE PRÁTICA
A missão profética da Igreja é levar o conhecimento e a vontade de DEUS até aos confins da terra, cumprindo assim a Grande Comissão.
 
 
LEITURA DIÁRIA
Segunda - Mt 16.18 - As portas do inferno não prevalecerão contra a Igreja do Senhor
Terça - At 20.28 - A Igreja comprada com o sangue de CRISTO
Quarta - 1 Co 14.25 - A presença de DEUS na Igreja
Quinta -Ef 3.10 - A Igreja e a multiforme sabedoria de DEUS
Sexta - Ef 3.21 - A Igreja está presente na terra em todas as gerações
Sábado -  Ap 22.3-5 - O final glorioso da jornada da Igreja
 
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE - Atos 8.4-8,12-17
Atos 8.4-8 = 4 Mas os que andavam dispersos iam por toda parte anunciando a palavra. 5 E, descendo Filipe à cidade de Samaria, lhes pregava a CRISTO. 6 E as multidões unanimemente prestavam atenção ao que Filipe dizia, porque ouviam e viam os sinais que ele fazia, 7 pois que os espíritos imundos saíam de muitos que os tinham, clamando em alta voz; e muitos paralíticos e coxos eram curados. 8 E havia grande alegria naquela cidade.
 
Atos 12-17 = 12 Mas, como cressem em Filipe, que lhes pregava acerca do Reino de DEUS e do nome de JESUS CRISTO, se batizavam, tanto homens como mulheres. 13 E creu até o próprio Simão; e, sendo batizado, ficou, de contínuo, com Filipe e, vendo os sinais e as grandes maravilhas que se faziam, estava atônito. 14 Os apóstolos, pois, que estavam em Jerusalém, ouvindo que Samaria recebera a palavra de DEUS, enviaram para lá Pedro e João, 15 os quais, tendo descido, oraram por eles para que recebessem o ESPÍRITO SANTO. 16 (Porque sobre nenhum deles tinha ainda descido, mas somente eram batizados em nome do Senhor JESUS.) 17 Então, lhes impuseram as mãos, e receberam o ESPÍRITO SANTO.
 
 
 
Nas instruções de JESUS sobre a vida da igreja (Jo 13-16; Lc 10.1-20; At 1.1-8), encontramos um elemento não abordado nas características da igreja identificadas até agora, que é a missão: a responsabilidade de levar as boas novas de JESUS aos confins da Terra.
Existe certamente grande significado no fato de a história da igreja do Novo Testamento, o livro de Atos, Ter como seu tema principal a expansão sucessiva na pregação do evangelho: Jerusalém, Judéia, Samaria, e, em seguida, o mundo gentio (1.8; cf. 6.8s; 7; 8; 10.34-38; 11.19-26; 13.1ss). A igreja é missão talvez seja uma frase exagerada, mas em seu serviço total ao propósito e à glória de DEUS, a missão é um ingrediente bíblico fundamental.
Assim sendo, uma igreja que não prega o evangelho não sente a responsabilidade pelo bem-estar moral e espiritual dos que a rodeiam, nem expressa interesse pelos pobres e necessitados onde quer que eles sejam encontrados, perdeu seu direito à autenticidade, constituindo-se numa negativa viva de seu Senhor.
Para resumir: a verdadeira igreja será reconhecida pela sua unidade nos relacionamentos, pela sua santidade de vida, pela sua abertura a todos, pela sua submissão à autoridade das escrituras, pela sua pregação de CRISTO em palavras e sacramentos, e pelo seu compromisso com a missão.
 
A Pregação é a forma mais expressiva de disseminar o Evangelho de CRISTO, e ocupou lugar central no ministério terrestre de JESUS. Ele identificou-se como pregador quando visitou a sinagoga de Nazaré, na Galiléia, do que fora enviado para evangelizar aos pobres, liberdade aos cativos e anunciar o ano aceitável do Senhor (Lc 4.16-21).
Foi um pregador itinerante. Seu púlpito era quase improvisado: um monte, a popa de um barquinho, o alto de uma pedra, a casa de amigos, ou mesmo a tribuna de uma sinagoga. Não tinha um lugar fixo ou uma sede. Ia de vila em vila, de aldeia em aldeia, e de cidade em cidade - Seu estilo eletrizante arrastava após si multidões para ouvir seus sermões cheios de graça e autoridade divina.
Segundo escreveu John Broadus, "a pregação de JESUS incluía todos os elementos calculados com o fito de mover a mente em todas as direções e levar o homem a ver, avaliar e tomar decisões morais". Portanto, JESUS é exemplo perfeito de pregador. Exerceu esse ministério em casas de família, nas sinagogas, ao ar livre e, em particular, a qualquer pessoa que o quisesse ouvir, como no caso de Nicodemos (Jo 3.1-3).
Nos tempos do Antigo Testamento, a pregação não era uma atividade constante do povo de DEUS. Seus líderes espirituais, sacerdotes e profetas e, às vezes, alguns reis tementes a DEUS proferiam discursos exortativos ao povo, mas a pregação não era essencial na liturgia do Tabernáculo, do Templo ou das sinagogas. Foi JESUS quem estabeleceu e exerceu o ministério da pregação. Para exercício desse ministério, confiou aos seus discípulos a Grande Comissão (Mt 28.19,20).
Nos primeiros séculos da Era Cristã, a pregação teve grande repercussão no Império Romano, mas sofreu a influência da retórica polida e filosófica das culturas grega e romana. Entretanto, essa influência não perdurou, visto que os líderes da Igreja de então voltaram ao método instituído por JESUS. A pregação cristã é autêntica por ser uma característica própria do Cristianismo, e JESUS, o seu criador e fundador, foi um dos primeiros pregadores, apenas João Batista o antecedeu. Cumprida a sua missão redentora na terra, seguiram-no na pregação os seus discípulos. É notável o fato de que a pregação foi a principal responsável pelo sucesso, crescimento e extensão da Igreja.
Dentre os pregadores que se destacaram no Novo Testamento, o apóstolo Paulo teve maior destaque pelo caráter missionário que impôs a seu ministério na Palestina, Ásia Menor e Europa. Investiu na preparação de outros pregadores como Tito e Timóteo.
A primazia da pregação foi bem entendida pela Igreja Primitiva conforme mostram os textos de Atos 8.5,10; 17.18; Romanos 10.14 e 1 Coríntios 1.17.
Um famoso professor de homilética do Seminário de Rochester definiu a arte de pregar como "a transmissão da verdade divina para persuadir". Portanto, a pregação é a comunicação oral e verbal da Palavra de DEUS com o intuito de salvar os que a ouvem (l.Co 1.21). É a palavra falada o veículo pelo qual DEUS transmite a sua vontade. Aprouve a DEUS salvar os crentes pela loucura da pregação.” (I Coríntios 1.21 ).
J. W. Shepard, em seu livro O Pregador diz que "a pregação é uma encarnação pessoal", porque o pregador transmite a Palavra de DEUS através da sua própria personalidade. Shepard cita o famoso pregador Henry Ward Beecher, que afirmou: "A pregação é a aplicação das emoções e dos pensamentos pessoais do próprio orador aos ouvintes; o poder de impor suas emoções, sentimento e inteligência ao seu semelhante. A explicação da incomparável doçura da pregação de JESUS está no fato que Ele encarna toda a plenitude da verdade. Essa encarnação só efetua o pregador que sabe a verdade, e encarna CRISTO na vida.
Pregador é alguém que recebe a mensagem de DEUS e prega-a aos homens. É o que trata com DEUS os interesses dos homens; e, com os homens, os interesses de DEUS. O pregador não é um entregador de recados. É uma voz de DEUS. A pregação é a tarefa primordial da igreja e, por conseguinte, dos que exercem o ministério da Palavra. Num certo sentido, todo crente é um pregador do Evangelho, pelo dever de testemunhar de CRISTO, mas todos são ministrantes da Palavra.
São inseparáveis a pregação e a devoção. A pregação sem devoção é vazia, inexpressiva. Ao preparar um sermão o pregador precisa dela, para meditar em oração e comunhão com DEUS. Assim o canal divino fluirá sobre a mente do pregador, fornecendo-lhe pensamentos ricos e inspirados. O cultivo espiritual deve ocupar o primeiro lugar na vida do pregador. O gabinete de estudo deve ser o seu recinto secreto, o altar da oração, o lugar da comunhão com DEUS.
A pobreza espiritual de muitas pregações resulta da falta desse cultivo espiritual. Meditar, estudar e orar com devoção produz poderosas mensagens. Por isso, o propósito da homilética é auxiliar o pregador na transmissão da mensagem de DEUS. Stafford North escreveu: "Quase todo sermão digno de trinta minutos do tempo do ouvinte começa com uma faísca criativa - aquela percepção instantânea em que o homem exclama: É essa a lição que eles precisam". Essa faísca criativa também pode ser aquele lampejo do ESPÍRITO sobre uma verdade contida em algum texto-bíblico, que dará ao pregador condições de preparar seu sermão. Tudo isto provém de uma vida totalmente mergulhada em devoção espiritual.
Certo pregador disse: "A pregação que mata é a da letra; pode ter bela forma e ordem, mas continuará a ser letra; letra rude e seca, casca nua e vazia". Só, a eloqüência não torna o sermão mais espiritual. É preciso que ele flua de uma vida devocional constante.
A experiência regeneradora do ESPÍRITO SANTO é a primeira e a mais importante na vida de um pregador. Como poderá falar sobre a obra maior que o ESPÍRITO SANTO realiza na vida de uma pessoa se não a tiver experimentado? O mero profissionalismo pode fazer um pregador. As faculdades teológicas estão cheias de pretensos pregadores, que aprendem tudo sobre a Bíblia e tornam-se oradores excelentes. Entretanto, ninguém será pregador autêntico sem a experiência da salvação. É preciso nascer de novo (Jo 3.3). Inteligência, teologia, oratória, homilética e eloqüência não fazem de ninguém um pregador. Há mistérios espirituais que só um regenerado poderá desvendá-los (1 Co 2.14).
Pregação é o ato de pregar, obviamente. É prática, sermão, prédica (Iat. "pregationis"). O agente da pregação é o pregador. O objeto da pregação é a Palavra de DEUS. Pregar (lat. "praedicare") é fazer prédica, discorrer oralmente sobre temas religiosos. No caso em questão, pronunciar sermão ou discorrer sobre a Palavra de DEUS  o Evangelho (gr. "evangelion"). Foi a palavra que o Cristianismo consagrou, desde o princípio, para designar aquele que leva as boas novas de salvação. Portanto, pregar é anunciar a salvação de DEUS em JESUS CRISTO.
A palavra grega correspondente a pregador é "keryx" - arauto. Isto é, aquele que tem uma mensagem ou "kerygma" do Reino de DEUS. Se "praedico" traduz - keryssõ" e "praedicatio" é "kerygma", indicando o propósito da pregação - declaração pública, proclamação ou anúncio no sentido mais simples da ação do arauto do Reino de DEUS - o pregador é o arauto ou mensageiro das boas novas de salvação; é a pessoa especialmente chamada para proclamar o "ano aceitável do Senhor" (Is 61.2 e Lc 4.19).
  
 
 
INTERAÇÃO
Prezado professor, estamos encerrando mais um trimestre. Analisamos de forma detalhada a profecia e seus desdobramentos. Hoje, trataremos o tema da Missão da Igreja. Assim como DEUS falava por meio dos profetas no Antigo Testamento, denunciando o erro e a mentira e proclamando a verdade, Ele deseja falar por meio de sua Igreja através de CRISTO. Aproveite esta oportunidade para conscientizar seus alunos de que a missão da Igreja não está relacionada apenas à salvação da alma do homem, mas inclui todas as dimensões humanas (física, espiritual, psicológica e social). Basta observar o texto em Atos 2.42-47.
 
OBJETIVOS -  Após esta aula, o aluno deverá estar apto a: 
Descrever o contexto de vida da igreja em Jerusalém. 
Explicar a chegada do evangelho em Samaria. 
Conscientizar-se do seu papel na missão profética da Igreja.
 
ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
Professor, introduza a aula de hoje perguntando aos alunos o conceito de dons. Professor, reproduza o quadro abaixo, na lousa ou faça cópias para os alunos. Leia o texto de Mateus 28.19,20. Nesses versículos, o termo "Ide", no original grego, é representado pelo gerúndio [Indo], a fim de traduzir uma ação permanente. Com o auxílio do esquema ao lado, explique aos seus alunos o processo dinâmico e crescente que a igreja Primitiva desenvolveu para anunciar o evangelho. Conscientize-os de que o nosso compromisso na proclamação do evangelho é mais do que a demarcação física do templo em que cultuamos a DEUS. Ele envolve o nosso caráter, oratória e sociabilidade. O verdadeiro templo somos nós (2 Co 6.16)! Boa aula!
 
 
 
  
 
 
 
 
 
Veja sobre este assunto nesta lição também
Lições Bíblicas CPAD - Jovens e Adultos - 1º Trimestre de 2007
Título: A Igreja e a sua missão - Comentarista: Elienai Cabral
Lição 6: Missão profética da Igreja — A proclamação da Palavra
Data: 11 de Fevereiro de 2007
 
TEXTO ÁUREO 
“Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1 Pe 2.9).
 
VERDADE PRÁTICA 
Na adoração, a Igreja dirige-se a DEUS; no discipulado, dirige-se aos convertidos; na proclamação profética, dirige-se ao mundo.
 
LEITURA DIÁRIA 
Segunda - Mt 28.16-20 - A Igreja, depositária do Evangelho
Terça - At 8-12 - A Igreja, agência do Reino de DEUS
Quarta - 1 Pe 2.9,10; 2 Co 5.16-19 - A Igreja tem um ministério sacerdotal
Quinta - 1 Co 4.1,2 - A Igreja, despenseira dos mistérios de DEUS
Sexta - Mc 1.14,15 - A Igreja proclama a mensagem do Reino
Sábado - Lc 22.24-30 - A Igreja tem um papel escatológico no mundo
 
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE - Atos 3.18-26.
18 - Mas DEUS assim cumpriu o que já dantes pela boca de todos os seus profetas havia anunciado: que o CRISTO havia de padecer.
19 - Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, e venham, assim, os tempos do refrigério pela presença do Senhor.
20 - E envie ele a JESUS CRISTO, que já dantes vos foi pregado,
21 - o qual convém que o céu contenha até aos tempos da restauração de tudo, dos quais DEUS falou pela boca de todos os seus santos profetas, desde o princípio.
22 - Porque Moisés disse: O Senhor, vosso DEUS, levantará dentre vossos irmãos um profeta semelhante a mim; a ele ouvireis em tudo quanto vos disser.
23 - E acontecerá que toda alma que não escutar esse profeta será exterminada dentre o povo.
24 - E todos os profetas, desde Samuel, todos quantos depois falaram, também anunciaram estes dias.
25 - Vós sois os filhos dos profetas e do concerto que DEUS fez com nossos pais, dizendo a Abraão: Na tua descendência serão benditas todas as famílias da terra.
26 - Ressuscitando DEUS a seu Filho JESUS, primeiro o enviou a vós, para que nisso vos abençoasse, e vos desviasse, a cada um, das vossas maldades.
 
INTERAÇÃO 
Professor, nesta lição, você lecionará um tema que envolve a teologia bíblica e a prática: A missão profética da Igreja. A teologia bíblica é a base teórica pela qual o ministério profético da igreja — a proclamação da Palavra — é desenvolvido. Recorra ao Auxilio Bibliográfico, pois explica o sentido teológico da palavra “mistério”, termo-chave do primeiro tópico da lição.
 
OBJETIVOS - Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
Descrever as dimensões proféticas da Igreja.
Explicar o “mistério” de que trata Paulo em suas epístolas.
Definir o tríplice ministério da Igreja.
 
ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA 
O aluno não é uma tabula rasa, uma folha em branco ou uma mente vazia; ele presume que sabe uma parte daquilo que o professor deseja ensinar-lhe. Um professor perspicaz sabe identificar esses fragmentos de conhecimento e usá-los positivamente no ensino-aprendizagem. O aluno possui um sistema de representações que tem sua coerência e suas funções próprias de explicação do mundo. Nancy Pearcey, afirma que a “base da visão de mundo cristã, naturalmente, é a revelação de DEUS nas Escrituras”. Logo, o professor deve evitar a postura que condena o que o aprendiz sabe, como se apenas ele conhecesse a verdade sobre qualquer fato ou assunto. É necessário permitir que o educando expresse o seu conhecimento. A partir daí, mesmo que o professor identifique equívocos conceituais, não deve censurá-lo imediatamente, mas, como afirma o educador francês P. Perrenoud, “encontrar uma maneira de desestabilizá-los apenas o suficiente para levá-los a restabelecerem o equilíbrio, incorporando novos elementos e reorganizando-as se necessário”.
 
COMENTÁRIO - Introdução 
Palavra Chave: Proclamação: Trata-se da anunciação do evangelho, conforme a revelação do mistério que desde tempos eternos esteve oculto (Rm 16.25).
Nesta lição a proclamação do Evangelho será estudada de acordo com a função profética da Igreja e de sua mensagem escatológica para o mundo moderno.
 
I. A PROCLAMAÇÃO PROFÉTICA DA IGREJA PRIMITIVA
A Leitura Bíblica em Classe nos mostra que a pregação do Reino de DEUS tinha um sentido profético e missionário na vida da igreja primitiva. Um dos termos originais usado no Novo Testamento para descrever a proclamação da igreja é kerygma, traduzido por “pregação” (Rm 16.25; 1 Co 1.21; 2 Tm 4.17; Tt 1.3), e “proclamação” (Lc 4.18; 1 Ts 2.9 - ARA).
1. Demonstrada na revelação do mistério da vontade de DEUS. As Sagradas Escrituras descrevem a proclamação das boas-novas e o seu conteúdo doutrinário como a revelação do “mistério que desde os tempos eternos esteve oculto em DEUS” (Rm 16.25; 1 Co 2.7; Ef 1.9; 3.3,4,9; 5.32; 6.19). Esse mistério não é descrito apenas como uma mensagem (Rm 16.25; Ef 3.3; 6.19), mas como o Verbo encarnado (Cl 1.26-28; 2.2,3; 4.3). Este revelou a DEUS (Jo 1.18; 8.16; 10.30), a vontade divina (Mt 7.21; Jo 4.34) e a Palavra de DEUS (Jo 14.24; 17.6,14,17).
a) O mistério revelado à Igreja. Segundo o Novo Testamento, o mistério foi revelado à Igreja para a glória dos santos (1 Co 2.7; Cl 1.26,27); como está escrito: “descobrindo-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito” (Ef 1.9). O mistério revelado da salvação em CRISTO deve ser anunciado a todos os homens (Ef 3.9; 6.19; Cl 4.3; 2.2).
b) O mistério desvendado em CRISTO. DEUS havia planejado a Igreja antes da fundação do mundo e a sua concretização haveria de acontecer na história da humanidade. Todo o plano de restauração e salvação que estava oculto cumpriu-se em JESUS CRISTO (Ef 1.9,10; Cl 1.27; 2.2) “na plenitude dos tempos” (Gl 4.4; Ef 1.10), quando DEUS enviou seu Filho para salvar o homem (Lc 19.10), e despojar a Satanás e seus anjos, triunfando sobre eles (Cl 2.15; 1 Jo 3.5,8). Este é o “mistério da piedade” que inclui os fatos da encarnação, morte, ressurreição e triunfo glorioso de JESUS CRISTO (1 Tm 3.16).
2. Revelada na missão de anunciar o reino de DEUS. Os Evangelhos são enfáticos quanto à mensagem de CRISTO e dos seus discípulos no sentido de proclamar o Reino de DEUS a todas as gentes (Mt 3.1,2; Mel.14,15; Lc 18.16,1 7). A centralidade da mensagem está no Reino de DEUS — o foco principal da proclamação da Igreja em seus primórdios (At 1.3; 8.12; 14.22; 19.8; 20.25; 28.23,31). Quando se diz “é chegado o Reino...” (Mt 4.17), o sentido é profético, referindo-se tanto à presença do Reino no presente quanto no futuro. A atual manifestação do Reino de DEUS implica salvação do poder do pecado, mas quanto ao futuro, a libertação da presença do pecado (1 Co 15.20-25,42-57)
 
SINOPSE DO TÓPICO (I)
O mistério que desde os tempos eternos esteve oculto é o Verbo encarnado. Este foi revelado à Igreja com o intuito de que a mesma cumpra a sua missão profética no mundo.
 
II. DIMENSÕES DA MISSÃO PROFÉTICA DA IGREJA
1. A Grande Comissão (Mt 28.18-20). A missão profética da Igreja está implícita na Grande Comissão que lhe foi outorgada por CRISTO. Vários textos dos Evangelhos e dos Atos dos Apóstolos falam da abrangência ilimitada da missão profética da Igreja (Mt 28.18-20; Mc 16.15-20; Lc 24.46,47; At 1.8). Essa missão profética de pregar o evangelho tem seu alicerce na autoridade de JESUS. É função da Igreja proclamar a todos que se arrependam, para que sejam perdoados os seus pecados (Mc 1.14), e possam ingressar no Reino de DEUS.
2. O novo pacto de DEUS (Êx 19.1,2; Ef 3.2-5). Da semente de Abraão, DEUS suscitou Israel e fez um pacto com esse povo para ser o seu representante na Terra. Israel recebeu de DEUS uma missão profética, mas falhou. Então, o Todo-Poderoso elegeu um novo povo constituído de judeus e gentios, estabelecendo através de seu Filho JESUS um novo pacto. Deste modo, as promessas de DEUS a Abraão cumprem-se na Igreja (Ef 3.10,11; Hb 8.6).
 
SINOPSE DO TÓPICO (II) 
As duas dimensões proféticas da Igreja são constituídas pela Grande Comissão e por meio do novo pacto de DEUS. Israel falhou em sua missão profética, mas a Igreja não deve falhar.
 
III. A MENSAGEM PROFÉTICA DA IGREJA (At 3.18-26)
1. Arrependimento (At 2.38; 3.19; 17.30). O arrependimento requer uma mudança completa na vida de rebelião e pecado do homem contra DEUS, para uma nova vida de fé e obediência ao Senhor. JESUS ordenou que em seu nome se pregasse o arrependimento a todas as nações (Lc 24.47). A mensagem de João Batista (Mt 3.2), de JESUS (Mt 4.17) e dos apóstolos (At 2.38) era uma veemente chamada ao arrependimento: “Arrependei-vos e crede no evangelho” (Mc 1.15). Uma igreja morna perde sua função profética e não prega o arrependimento dos pecados. Todavia, a Igreja do DEUS vivo, a coluna e firmeza da verdade (1 Tm 3.15), não se associa ao mundo inconverso e perdido; ao contrário, conclama a todos que se arrependam e se convertam, para que sejam perdoados de seus pecados (At 3.19).
2. A segunda vinda de CRISTO (vv.20,21; 1 Ts 4.13-18). A pregação do evangelho pelos apóstolos anunciava o retorno triunfante de CRISTO à Terra, como cumprimento da palavra profética anunciada pelos santos profetas do Antigo Testamento. A missão profética da Igreja, portanto, inclui a proclamação do retorno triunfante de CRISTO como juiz dos vivos e dos mortos (At 10.42; 17.31), não apenas dos cristãos, mas também dos pecadores.
 
SINOPSE DO TÓPICO (III) 
A mensagem profética da igreja é constituída: (a) pela anunciação do arrependimento dos pecados, (b) proclamação do retorno triunfante de CRISTO e (c) julgamento dos vivos e dos mortos, segundo a Escritura.
 
CONCLUSÃO 
Segundo o texto de 1 Pe 2.9,10, a igreja deve cumprir plenamente o seu tríplice ministério: real, sacerdotal e profético, para que a sua missão satisfaça o projeto de DEUS na Terra.
 
VOCABULÁRIO
Inconverso: Não convertido, não converso; inconvertido.
Beneplácito: Consentimento, aprovação, aprazimento.
 
BIBLIOGRAFIA SUGERIDA 
BENTHO. E. C. Hermenêutica fácil e descomplicada. RJ: CPAD, 2005.
CABRAL, E. Comentário Bíblico: Efésios. RJ: CPAD, 1999.
ZIBORDI, C. S. Evangelhos que Paulo jamais pregaria. RJ: CPAD, 2006.
 
AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO - Subsídio Teológico 
“Revelação e Mistério
Os termos revelação e mistério são associações comuns nas epístolas paulinas. Paulo emprega, por exemplo, o termo mistério seis vezes na epístola aos Efésios. Para compreender adequadamente este termo é necessária uma comparação formal com a epístola aos Colossenses, pois esta também usa o termo várias vezes (1.26,27; 2.2; 4.3). O termo também pode ser encontrado em Romanos (duas), 1 Coríntios (seis), 1 Timóteo (duas), 2 Timóteo (duas). Os usos do termo mystēhon nestas epístolas possuem particular afinidade com o contexto já encontrado em Efésios e Colossenses.
Em Colossenses, mistério é especificado pelo genitivo ‘mistério de DEUS’ (2.2) e ‘mistério de CRISTO’ (4.3). Nos outros dois casos (1.26,27), o contexto define o mistério em relação a DEUS e a CRISTO: ‘DEUS quis fazer conhecer quais são as riquezas da glória deste mistério entre os gentios, que é CRISTO em vós, esperança da glória’. Em Colossenses 2.2, este mistério é o próprio CRISTO: ‘para conhecimento do mistério de DEUS — CRISTO’.
Esse conjunto de características se encontra também nos textos de Efésios. Em três casos, o mystēhon é determinado por um genitivo que o coloca em relação com a iniciativa eficaz e gratuita de DEUS, a sua ‘vontade’ (1.9), com o CRISTO (3.4) ou com o Evangelho (6.19). Em dois casos, o termo é usado de forma absoluta, ‘o mistério’ (3.3,9), mas o contexto permite referi-lo, sem dúvida, a DEUS ou ao CRISTO. Exclui-se dessa perspectiva o caso de 5.32, onde designa uma interpretação ‘profética’ de um texto bíblico, precisamente, de Gênesis 2.24, relido à luz da ligação salvífica entre CRISTO e a Igreja [...]”.
(BENTHO. E. C. Hermenêutica fácil e descomplicada. 3.ed. RJ: CPAD, 2005, p.37-8.)
 
APLICAÇÃO PESSOAL 
Cada membro do Corpo de CRISTO é responsável pela comunicação da “sabedoria de DEUS em mistério” (1 Co 2.7). O mistério, anteriormente oculto, foi revelado por meio de JESUS e preordenado desde a eternidade para nossa glória salvífica. O anúncio da sabedoria de DEUS em mistério não é apenas um privilégio, mas uma responsabilidade que impele o crente a consagrar a sua vida, esforço e tempo.
Portanto, o crente é responsável pela comunicação do mistério de DEUS revelado em sua vida: as bênçãos espirituais em CRISTO (Ef 1.3), a adoção (Ef 1.5), o selo e penhor do ESPÍRITO (Ef 1.13), entre tantos outros mistérios que foram compartilhados com cada crente em particular. Sejamos, pois, ministros de CRISTO e despenseiros fiéis dos mistérios de DEUS, como ordena a Bíblia (1 Co 4.1).
 
 
 
RESUMO DA LIÇÃO 13 - A MISSÃO PROFÉTICA DA IGREJA

INTRODUÇÃO - A missão profética da Igreja consiste em levar o evangelho de JESUS CRISTO a todos os povos, pois é através desta que DEUS ainda fala.
I. A PERSEGUIÇÃO 
1. Os primórdios da igreja em uma cidade. JESUS disse: "[...] e ser-me-eis testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até os confins da terra" (At 1.8)
2. A dispersão dos discípulos (v.4). Os que "andavam dispersos iam por toda parte anunciando a palavra" (v.4).
3. DEUS pode tornar o mal em bem. A dispersão dos discípulos contribuiu para uma ampla e contínua disseminação do evangelho.
II. OS SAMARITANOS 
1. A ordem de JESUS derruba barreiras étnicas.
2. Samaria (v.5). Mstura étnico-religiosa.
3. Judeus e samaritanos. JESUS amava-os (Jo 4.39-42).
III. O EVANGELHO EM SAMARIA 
1. "Descendo Filipe à cidade de Samaria, lhes pregava a CRISTO" (v.5). Filipe era um dos sete homens escolhidos para servir como diácono.
2. A presença divina (vv.6,7). O próprio ministério de JESUS era baseado na trilogia: pregação, ensino e milagres (Mt 4.23).
3. Nasce a igreja dos samaritanos (v.12), e os apóstolos Pedro e João dão sequência ao trabalho (vv.14,15). A pregação de Filipe era acompanhada de cura e libertação, por isso, atraiu toda a população de Samaria.
Ora, a pregação da Palavra e a "colheita de almas", se não forem seguidas pelo ensino da Palavra (Mc 16.15; Mt 28.19,20), produzem crentes anêmicos.
CONCLUSÃO 
A missão da Igreja é levar as boas-novas de salvação e, justamente, por essa razão, o evangelho contempla todas as etnias; desconhece fronteiras.
 
 
SINOPSE DO TÓPICO (1)
O martírio de Estevão, nos primórdios da Igreja, resultou na dispersão dos discípulos e, por conseguinte, numa maior propagação do evangelho.
SINOPSE DO TÓPICO (2)
A ordem evangelística de JESUS derrubou barreiras étnicas entre judeus e samaritanos
SINOPSE DO TÓPICO (3)
O Evangelho em Samaria foi proclamado por meio da pregação cristocêntrica, resultando em conversões e manifestações sobrenaturais
 
AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO - Subsídio Bibliológico
"Tendo descido, oraram por eles para que recebessem o ESPÍRITO SANTO (8.15)
Lucas acrescenta uma nota de explicação porque este é um evento extraordinário, e não um padrão do século I ou de hoje. Eles oraram e impuseram as mãos sobre eles "porque sobre nenhum deles [o ESPÍRITO SANTO] havia ainda descido" (8.16,17). Por que aqui, e somente aqui, a oração e a imposição de mãos estão associadas com a descida do ESPÍRITO SANTO sobre os crentes em JESUS?
Devemos nos lembrar de que a hostilidade profundamente enraizada e a competição religiosa haviam existido entre os judeus e os samaritanos durante muitas gerações. Ao dar o ESPÍRITO SANTO por intermédio de Pedro e João, o Senhor deixou claro (1) que a igreja era uma só, e (2) que os apóstolos eram seus líderes autorizados. Sem esta evidência de unidade e autoridade, os samaritanos poderiam perfeitamente bem ter iniciado um movimento dissidente. E sem ela, os cristãos judeus poderiam não estar dispostos a aceitar os samaritanos como membros, juntamente com eles, do Corpo de CRISTO"
(RICHARDS, O. Lawrence. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro. CPAD, 2007, p.262).
 
AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO II - Subsídio Teológico
O Ministério da Igreja
"A Igreja é o estandarte da reconciliação entre a humanidade e DEUS, e dos seres humanos entre si. [...] O ministério à Igreja inclui o compartilhar da vida divina. Só temos a dinâmica daquela vida à medida que permanecermos nEle e continuarmos repassando a sua vida uns aos outros dentro do Corpo. Esse processo de edificação é descrito por Paulo como relacionamentos de mútua confiança: pertencermos uns aos outros, precisamos uns dos outros, afetamos uns aos outros (Ef 4.13-16). Essa mútua confiança inclui abnegação para ajudarmos a suprir as necessidades uns dos outros. Não somos um clube social, mas sim, um exército que exige mútua cooperação e solicitude ao enfrentarmos o mundo, negarmos a carne e resistirmos ao diabo"
(HORTON, Stanley M (ed). Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro. 12.ed. CPAD, 2009, pp. 600-1).
 
VOCABULÁRIO
Diáspora: Processo de exílio disciplinar que acabou por desalojar os filhos de Israel de sua terra.
Trilogia: Tríade. Conjunto de três pessoas ou de três coisas.
BIBLIOGRAFIA SUGERIDA
Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento. Rio de Janeiro. 2.ed. CPAD, 2004.
SAIBA MAIS pela Revista Ensinador Cristão - CPAD, nº43, p.42

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