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segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Os Falsos Profetas - Luciano de Paula Lourenço

Texto Base: Jeremias 28:2-4,12-15

“Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores. Por seus frutos os conhecereis”(Mt 7:15,16).
INTRODUÇÃO
A capacidade de o Diabo imitar as coisas de Deus é muito grande. Ao longo da história, desde a criação do homem, ele utilizou todas as suas variadas astúcias para quebrar a comunhão do homem com Deus. Em variadas ocasiões Satanás usou pessoas da confiança do próprio povo, como foi o caso de muitos “profetas” de Israel, que ludibriavam o povo com suas falsas mensagens, que muitas vezes foram tidas por verdadeiras profecias. Assim como Deus utilizou os seus servos, os profetas, para transmitir sua verdade e seus desígnios, e também cobrar do povo que andasse de forma correta e justa com seus irmãos, Satanás, também, utilizou-se, no Antigo Testamento, de falsos profetas que traziam mensagens contrárias às que Deus tinha enviado, como foi o caso de Zedequias, filho de Quenaana, e seu grupo de profetas, que conseguiram impressionar o rei Acabe (1Rs 22:5-28; 2Cr 18:4-27). Estes falsos profetas fizeram, em nome de Jeová, promessas incoerentes e ludibriadores, que não podiam ser cumpridas, sem levar em consideração a má condição moral e espiritual do povo. As consequências foram cruentas e devastadoras, refletidas até hoje sobre o povo judeu.
COMO RECONHECER O LEGÍTIMO MENSAGEIRO DE DEUS, NO CONTEXTO ATUAL EM QUE A IGREJA VIVE?
A Palavra de Deus adverte-nos de que haverá entre nós, na própria igreja, falsos profetas (2Pe 2:1,2; Leia também At 20:30; 1Tm 4:1; 1Jo 4:1). Apesar da aparência de piedade, não passam de agentes de Satanás. Sua missão: corromper a fé dos salvos e destruir a unidade da Igreja (Mt 7:15-23). Como identificá-los? Como saber se estão em nosso meio?
a) Discernindo o caráter da pessoa. O caráter é o conjunto de qualidades boas ou más de um individuo que determina a conduta em relação a Deus, a si mesmo e ao próximo. O caráter de uma pessoa não apenas define quem ela é, mas também descreve seu estado moral e a distingue das demais de seu grupo(Pv 11:17; 12:2;14:14:20:27); é o traço distintivo de uma pessoa; é a sua marca. Não nos preocupemos com os sinais, prodígios e maravilhas que alguém venha a fazer, mas, sim, com a presença do caráter cristão na sua vida. Não nos preocupemos com a vestimenta que alguém está usando, mas com a presença do caráter cristão na sua vida. O apóstolo Paulo denomina o caráter do autêntico cristão de “Fruto do Espírito”(Gl 5:22).b) Observando os frutos da vida e da mensagem da pessoa. Os frutos dos falsos pregadores comumente consistem em seguidores que não obedecem a toda a Palavra de Deus(ver Mt 7:16). É pelos frutos que reconheceremos quem é crente e quem não o é(Mt 7:6), pois Jesus disse que aquele que não produzisse fruto seria lançado fora da videira verdadeira. A árvore má não pode dar frutos bons (Mt 7:16-20).c) Discernindo até que ponto a pessoa se baseia nas Escrituras. Este é um ponto fundamental. Essa pessoa crê e ensina que as Escrituras Sagradas são plenamente inspiradas por Deus e que devemos observar todos os seus ensinos?(ver 2João 9-11).d) Em fim, observando a integridade da pessoa quanto à administração do dinheiro arrecadado dos fiéis da igreja. Ela administra todos os recursos financeiros com integridade e responsabilidade, e procura realizar a obra de Deus conforme os padrões do Novo Testamento?(leia 1Tm 3:3; 6:9,10).
Portanto, sejamos cuidadosos porque mesmo sendo acurados nos critérios de avaliação de um pregador, mesmo assim, muitas vezes, eles aparecem vestidos de cordeiros, mas são terríveis lobos devoradores(Mt 7:15).
I. A FALSA MENSAGEM PROFÉTICA
No tempo de Jeremias havia falsos profetas, que pregavam mensagens “bonitas”, que vendiam ilusões, que enganavam o povo. Mas o profeta de Deus os advertiu dizendo: “Assim diz o Senhor dos Exércitos: não deis ouvidos às palavras dos falsos profetas, que entre vós profetizam; ensinam-vos vaidades; falam da visão do seu coração, não da boca do Senhor”(Jr 23: 16). Esses falsos profetas, esses profissionais da religião, enganavam o povo, para tirar proveito pessoal. Não foram chamados, não tinham compromisso com Deus, não conheciam Sua Palavra. Falavam aquilo que o povo queria ouvir, e eram aplaudidos. Pregavam abundância de bênçãos materiais para um povo afundado no pecado e na idolatria (Jr 5:12;8:11;14:13,15).
1. A celeste mensagem de Jeremias. “No princípio do reinado de Zedequias, filho de Josias, rei de Judá, veio, da parte do SENHOR, esta palavra a Jeremias, dizendo: Assim me disse o SENHOR: Faze umas prisões e jugos e pô-los-ás sobre o teu pescoço. E envia-os ao rei de Edom, e ao rei de Moabe, e ao rei dos filhos de Amom, e ao rei de Tiro, e ao rei de Sidom, pelas mãos dos mensageiros que vêm a Jerusalém ter com Zedequias, rei de Judá”(Jr 27:1).
O profeta Jeremias foi instruído a dramatizar sua mensagem pelo uso de “prisões e jugos”(“cordas e madeira”,NVI). Pelo que tudo indica, Jeremias fez sete pares de jugos, um para cada um dos reis, incluindo Zedequias, e o que ele mesmo estava usando. Parece que ele andou pelas ruas de Jerusalém por vários dias com esse jugo sobre o pescoço, proclamando a mensagem que Deus lhe tinha dado. Os enviados dos cinco reis foram ordenados a transmitir a mensagem de Deus aos seus senhores (Jr 27:4). Assim como o boi é dominado pelo jugo de seu dono, as nações deveriam sujeitar-se ao domínio dos caldeus, pois seria inútil tentar livrar-se de Nabucodonosor (27:12,13). A mensagem que Deus mandou transmitir está exarada no capítulo 27 de Jeremias, a partir do versículo 4.
A celeste mensagem proferida pelo profeta Jeremias de que a Babilônia governaria as nações do Oriente Médio durante setenta anos despertou a ira dos governantes políticos e religiosos de Judá. Eles estavam furiosos com o profeta porque suas próprias predições estavam sendo contestadas; os líderes políticos, por causa das suas aspirações nacionalistas, estavam correndo o risco de ver essas aspirações sendo refutadas por esse tipo de pregação. Os profetas profissionais(os falsos profetas, os mercadores da fé, os politicamente corretos) eram os mais abertamente antagônicos nessa época. Apesar da sua hostilidade maligna, Jeremias manteve firme a sua posição de que seus pronunciamentos eram de Deus, e que a Babilônia seria a nação que governaria sobre Judá e as outras nações.
2. O falso profeta Hananias (Jr 28:1). Ele representa todo o grupo de profetas profissionais. Na época de Jeremias, a maioria dos profetas era irrealista e falso, que desencaminhavam o povo com profecias enganosas. Suas declarações eram muito positivas e soavam edificantes, até mesmo encorajadoras aos ouvidos das pessoas. Eles prometiam muito, inclusive a vitória. É o caso de Hananias, falso profeta, que apresentava uma “mensagem maravilhosa” e tinha a ousadia, e até mesmo a insolência, de proclamá-la abertamente, como se vê no capítulo 28:2-4 de Jeremias. Ele era do tipo que impressionava com suas mensagens. Falava como profeta, tinha discurso de profeta e vestia-se como profeta. Aliás, era mais dramático que os profetas de Deus. Além disso, só falava o que o povo queria ouvir. Pregava a paz e determinava a prosperidade. Com um coração despreocupado fez, em nome de Jeová, promessas inconsistentes que não podiam ser cumpridas. Ele esperava resultados sem colocar os devidos alicerces para alcançá-los.
Com grande arrogância, Hananias desafiou Jeremias no Templo de Jerusalém diante do povo e dos sacerdotes; ele estabeleceu um limite de dois anos na sua profecia(Jr 28:3), enquanto Jeremias falava que eram setenta anos de cativeiro, pois era a vontade de Deus. Hananias era um fanático. Fanáticos sempre estão com pressa.
3. A mensagem de Hananias (Jr 28:3,4) e a reação do profeta de Deus - “Assim fala o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel, dizendo: Quebrei o jugo do rei da Babilônia. Dentro de dois anos, eu tornarei a trazer a este lugar todos os utensílios da Casa do Senhor, que daqui tomou Nabucodonosor, rei da Babilônia, levando-os para a Babilônia. Também a Jeconias, filho de Jeoaquim, rei de Judá, e a todos os exilados de Judá, que entraram na Babilônia, eu tornarei a trazer a este lugar, diz o Senhor; porque quebrei o jugo do rei da Babilônia” (Jr 28:2-4).
Esta mensagem de triunfo do falso profeta Hananias era a que todos queriam ouvir: a volta de Jeconias(ou Joaquim), filho do rei Jeoaquim, rei de Judá – Jr 22:24; e o fim do jugo caldeu em dois anos. Porém, Jeremias, contraditoriamente, afirmava ser impossível Joaquim retornar de Babilônia (Jr 22.24-27), o que realmente aconteceu, pois o rei veio a morrer em Babilônia durante o reinado de Evil-Merodaque (Jr 52.31-34; 2 Rs 25.27-30). Era, portanto, a palavra de Hananias contra a de Jeremias. O homem de Deus, naquele momento, estava em desvantagem, pois o povo esperava uma mensagem de triunfo, e o falso profeta Hananias era o tipo de triunfalista que os incautos admiravam, pois pregava uma mensagem que eles queriam ouvir: “não desista dos seus sonhos”; “tome posse da tua bênção”; “determine a tua vitória”, e outros modismos semelhantes.
O grande atrevimento de Hananias: atribuiu suas palavras ao Senhor - “Assim fala o Senhor dos Exércitos” – quando eram suas próprias palavras, não as do Senhor. Com um coração despreocupado ele fez, em nome de Jeová, promessas inconsistentes e irresponsáveis que não podiam ser cumpridas. Ele mentiu ao povo. Ele esperava resultados sem colocar os devidos alicerces para alcançar esses resultados. Naquele instante, certamente, a turba ovacionava Hananias e motejava o profeta Jeremias. Desta feita, a resposta do profeta de Deus foi um irônico “Amém” (Jr 28:6). Jeremias, ardentemente desejava que a mensagem anunciada por Hananias pudesse ser verdade, porque Jeremias amava sua nação e seu povo.
Entretanto, como se pode ver no capítulo 28 e versículos 7 a 9, Jeremias reitera a Palavra do Senhor e disse as seguintes palavras: “Mas ouve, agora, esta palavra que eu falo aos teus ouvidos e aos ouvidos de todo o povo: Os profetas que houve antes de mim e antes de ti, desde a antiguidade, profetizaram contra muitas terras e contra grandes reinos guerra, e mal, e peste. O profeta que profetizar paz, somente quando se cumprir a palavra desse profeta é que será conhecido como aquele a quem o Senhor, na verdade, enviou”. Com estas palavras, Jeremias adverte o povo a não se empolgar com os oráculos de Hananias.
A palavra do verdadeiro profeta deve apresentar uma combinação de predição negativa e positiva, porque somente então a palavra do Senhor é apresentada de maneira equilibrada. Consequentemente, um homem que falava somente coisas lisonjeiras era suspeito até que suas palavras provassem ser verdadeiras. É o que diz o texto sagrado: “O profeta que profetizar paz, somente quando se cumprir a palavra desse profeta é que será conhecido como aquele a quem o Senhor, na verdade, enviou”(Jr 28:9).
II. O FALSO PROFETA É DESMASCARADO
1. A arrogância de Hananias.
 A arrogância é o cartão de identidade do falso profeta. Além disso, o falso profeta Ananias era audacioso. Ele era daquele tipo de profeta que agradava o povo com seus discursos ludibriadores, e com o máximo de dramatização possível para impressionar os incautos. Ele era daqueles tipos de mensageiros positivistas que não aceitava nenhuma derrota na vida material.
A Palavra de Deus diz que, enquanto o profeta Jeremias dramatizava a situação futura de Israel usando um jugo no pescoço, Hananias, sem aviso, arrancou o jugo do seu pescoço e o quebrou (Jr 28:10). Ele repetiu ainda com mais veemência sua falsa profecia anterior, declarando que “o jugo […] da Babilônia seria quebrado do pescoço de todas as nações num prazo de dois anos”(Jr 28:11). Ele impressionou a multidão presente com essa dramatização, cuja mensagem era falsa e mentirosa. Com isso, Jeremias se foi, “tomando o seu caminho”. Seu silêncio era mais eloquente do que qualquer coisa que pudesse ter dito. Ele poderia ter argumentado, mas com o ânimo da multidão e o estado agitado de Hananias, suas palavras se tornariam inúteis.
Por que Ananias mentiria ao povo? “Politicamente correto”, tal profecia era o que o rei e o povo queriam ouvir e vaticinou o que todos almejavam que acontecesse naquele momento. Tais ensinamentos o deixariam popular. Hananias disse que o cativeiro babilônico chegaria ao fim em dois anos. Mas, o Senhor disse que a duração do cativeiro babilônico continuaria “… até que os setenta anos se cumpriram” (2Cr 36:21). Hananias disse que o rei Jeconias (Joaquim) voltaria do cativeiro babilônico dentro de dois anos. Na verdade ele ficou preso na Babilônia por trinta e sete anos (Jr 52:31). Desta feita, no teste do verdadeiro profeta, ele estava reprovado (Dt 18.22).
2. O jugo de madeira é substituído por um de ferro (Jr 28:13,14). A ousadia de Hananias acarretou ainda mais a ira divina. Certo tempo depois, Deus deu uma mensagem a Jeremias para esse falso profeta: “Você quebrou jugos de madeira, mas em seu lugar você fará jugos de ferro”(Jr 28:13). O versículo 14 explica: “Porque assim diz o Senhor[…]: Jugo de ferro pus sobre o pescoço de todas estas nações, para servirem a Nabucodonosor, […] e servi-lo-ão”. A última frase ressalta como Hananias estava errado e como é definitiva a decisão de Deus.
Hananias parecia ter uma personalidade muito mais forte, ao contrário de Jeremias que era uma pessoa sensível e até tímida (Jr 1:6). Porém, ter uma personalidade forte, não significa ser o dono da verdade! Reparem que Hananias falou, “em nome do Senhor, com toda convicção, que dentro de dois anos, o jugo do rei da Babilônia seria quebrado. Porém isso não aconteceu. O jugo do rei da Babilônia somente foi quebrado depois de setenta anos (Jr 29:10). Então, é possível alguém ser um pregador muito empolgado, um pregador que fala poderosamente, fazendo promessas lindas, um pregador que arranca aplausos. Mas isto não quer dizer que ele é um pregador que fala a Palavra do Senhor. Devemos, portanto, respeitar a Palavra de Deus, não ultrapassá-la nem fazer menos do que aquilo que Deus falou - “Todo aquele que ultrapassa a doutrina de Cristo e nela não permanece não tem Deus; o que permanece na doutrina de Cristo, esse tem tanto o Pai como o Filho” (2João 9).
3. O julgamento do falso profeta Hananias e a confirmação de Jeremias como profeta de Deus (Jr 28:15-17). A mensagem de Hananias, apesar de agradável, era uma mentira danosa que contribuiu para a queda da nação e o exílio do povo do reino de Judá(Jr 28:15). Hananias não ficaria impune; ele pagaria com a própria vida por sua rebelião contra o Senhor. Disse-lhe Deus: “Eis que te lançarei de sobre a face da terra; morrerás este ano, porque pregaste rebeldia contra o Senhor. Morreu, pois, o profeta Hananias, no mesmo ano, no sétimo mês” (Jr 28:16-17). Esse é o destino daquele que, sem temor nem tremor, brinca com o nome de Deus, zombando-lhe da Sua santidade(ver Dt 18:20). Deus não tolera um líder do seu povo colocar palavras mentirosas em sua boca. Portanto, Hananias foi desmascarado e morto; Jeremias, confirmado como profeta de Deus. Veja, também, o destino dos falsos profetas descritos em Jeremias 29: 21-23; 31,32.III. O DOM DE DISCERNIR É O GRANDE INIMIGO DOS FALSOS PROFETAS
Discernimento é a capacidade sobrenatural para se distinguir a fonte da manifestação espiritual: se é de fato do Espírito Santo, de um espírito demoníaco ou meramente humano (1Co 12:10). É uma das principais “armas espirituais” que Deus nos dispõe para usarmos. Quantos problemas seriam evitados na igreja se funcionasse, correta e biblicamente, o dom do discernimento dos espíritos. Quantas vidas já se perderam por falta desse dom!
1. O discernimento do povo de Deus. É imprescindível termos conhecimento das doutrinas genuínas da Palavra de Deus, ou seja, é necessário conhecermos e prosseguirmos em conhecer a Palavra de Deus, conforme está em escrito em Oséias 6:3. Entretanto, não basta apenas o conhecimento da Palavra, mas, também, é necessário que o crente tenha o discernimento espiritual, o qual é dividido em duas partes:
a) O Discernimento como capacidade de compreender situações, de separar o certo do errado (Hb 5:14). É fundamental, pois, nestes dias trabalhosos em que vivemos, que saibamos distinguir entre o que é certo e o que é errado, distinção esta que só se fará mediante a ação do Espírito Santo e o conhecimento da Palavra. Quando a pessoa aceita a Cristo, ele passa a ter a direção do Espírito Santo, que vem nele habitar e, a partir de então, sabe diferençar o que é certo e o que é errado, o que agrada e o que não agrada a Deus. Ele enxerga com nitidez a linha divisória entre o santo e o profano. Esta capacidade de discernir é o resultado de uma vida de comunhão e de intimidade com o Espírito Santo.
b) O Discernimento Espiritual como “dom de discernimento dos espíritos” (1Co 12:10). O dom de discernimento dos espíritos, que faz parte dos dons de ciência, revelação ou de conhecimento, é a capacidade especial que o Espírito Santo dá a alguns crentes para que julguem as manifestações espirituais que ocorrem dentro das igrejas locais, de modo a atestar se são provenientes de Deus, ou não; bem como, identifica os falsos mestres e seus falsos ensinamentos que se infiltram, cada vez mais, encobertamente, no meio do povo de Deus.
Veja o caso da jovem da cidade de Filipos, em Atos 16:16-18, que tinha o espírito de adivinhação. Diz o texto sagrado que a jovem escrava foi usada com poderes de adivinhação, e “isto fez por muitos dias” (Atos 16: 18). Ela dizia assim: “Estes homens, que nos anunciam o caminho da salvação, são servos do Deus Altíssimo” (Atos 16:17). Mas Paulo usando o dom do discernimento espiritual percebeu que aquela mensagem era diabólica, e repreendeu o espírito maligno(Atos 16:18). Por que o apóstolo se sentiu incomodado por um espírito maligno anunciar a verdade a seu respeito? Se Paulo aceitasse o testemunho do demônio estaria ligando a pregação das Boas Novas a atividades relacionadas a demônios. Isso traria grandes prejuízos à mensagem a respeito de Cristo. A luz e as trevas não se misturam.
Nos dias de tanto engano e de tanta atuação do “espírito do anticristo”, torna-se absolutamente necessário que este dom esteja na igreja para auxílio dos crentes em geral. Se é verdade que cada salvo tem discernimento espiritual, também não é menos verdadeiro que a sutileza do nosso inimigo, a “mais astuta de todas as alimárias da terra” (Gn.3:1), é tal que não podemos ignorar os seus ardis (2Co.2:11). Este dom é extremamente necessário neste último tempo, mas lamentavelmente, ante a frieza espiritual de muitos, sua falta tem contribuído enormemente para a apostasia da fé de muitos.
2. A luta da verdade de Deus contra a mentira diabólica. Esta luta Jeremias passou na sua época: era ele, que detinha a verdade de Deus, contra Hananias, que detinha a mentira diabólica(Jr 28:15). Se um profeta é verdadeiro, sua mensagem é de Deus, cheia de verdade e de autenticidade; seu testemunho representa adequadamente a natureza, o caráter e a missão de Cristo; sua mensagem está em harmonia e em correspondência com todas as revelações de Deus. Os profetas mentirosos representam ameaça permanente para o povo de Deus. O povo de Deus deve prová-los, com os melhores elementos extraídos das Escrituras Sagradas.
Repetidas vezes, a Palavra de Deus adverte contra falsos profetas. Precisamos dar ouvidos a essas advertências. Jesus disse: “Acautelai-vos dos falsos profetas” (Mt 7:15). Paulo compara os falsos profetas a Janes e Jambres, que se opuseram a Moisés e Arão com sinais e maravilhas operados pelo poder de Satanás (2Tm 3:8). Pedro advertiu que assim como houve falsos profetas no tempo do Antigo Testamento, assim também haverá entre nós falsos mestres, os quais introduzirão dissimuladamente heresias destruidoras(2Pe 2:1). O apóstolo João declarou que já em seus dias muitos falsos profetas atuavam entusiasticamente no meio da igreja (1Jo 4:1).
Quanto mais hoje, portanto, devemos estar alertas quanto aos falsos profetas à medida que a apostasia profetizada para os últimos dias atinge o seu clímax, preparando o mundo e uma falsa religião para a chegada do Anticristo!
3. Os discípulos do profeta Hananias. À semelhança de Hananias, muitos falsos profetas estão por aí causando estragos nas igrejas e trazendo problemas até para a sociedade. Conhecer, amar e obedecer à Palavra de Deus é o único meio seguro de não sermos enganados. Infelizmente, muitos que professam conhecer a Deus e servi-lo têm pouca ou nenhuma sede por Sua Palavra. Em vez disso, buscam sinais e maravilhas, experiências emocionais, “novas revelações”, o último “mover” do Espírito, ou os dons em lugar do Doador. Como resultado, são suscetíveis a todo “vento de doutrina” (Ef 4:14) e caem vítimas de falsos mestres que “… movidos por avareza, farão comércio de vós com palavras fictícias…” (2Pe 2:3), “supondo que a piedade é fonte de lucro” (1Tm 6:5). A mentira popular da “$emente de fé” – a idéia de que uma contribuição para um ministério abre a porta para milagres e prosperidade – engana e promove cobiça entre os milhões que ignoram a Palavra de Deus. Precisamos julgar as profecias e discernir os espíritos, a fim de não sermos enganados pelos falsos profetas.CONCLUSÂO
Assim como havia falsos profetas na época de Jeremias que diziam às pessoas coisas que Deus não havia falado, há o mesmo tipo hoje em dia. Na sua falsidade eles ensinam rebelião contra a palavra verdadeira de Deus. Na sua interpretação errada da palavra de Deus eles caminham para a condenação, levando juntos aqueles que acreditam nos seus falsos ensinamentos. Portanto, tenhamos cautela e não sejamos ignorantes! Os nossos olhos podem ver o pregador mais poderoso do mundo, mas isto não significa nada. Não devemos ficar impressionados quando o pregador só fala o que o povo quer ouvir: promessas de paz, promessas de prosperidade, promessas de milagres e curas. Numa época de crise e desemprego, muitos se aproveitam, pregando prosperidade e bênçãos, enganando até multidões. Que o povo de Deus não se engane! Que o povo de Deus não seja ignorante, mas conheça a santa Bíblia! Importa ouvirmos a pura e verdadeira Palavra de Deus, a qual nos orienta sobre os nossos pecados e sobre as nossas transgressões. Sejamos como os crentes de Beréia: “Ora, estes foram mais nobres do que os que estavam em Tessalônica, porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim” (Atos 17:11).
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